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O Plano de Ação para a Transição Digital, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 30/2020, assumiu-se como o motor de transformação digital do país, tendo como propósitos, a capacitação digital das pessoas e a modernização do ensino, entre outros. Seguiu-se uma fase de deslumbramento com a integração de novos equipamentos nas escolas, kits tecnológicos, manuais digitais, conectividade móvel, etc..
Depois desta fase de deslumbramento tecnológico, passou-se de forma repentina ao ceticismo tecnológico. Instalou-se neste país uma espécie de fobia à tecnologia. Dou-vos três exemplos:
Abandono dos manuais digitais
O Projeto-Piloto Manuais Digitais teve início em 2020/2021, participaram 9 Agrupamentos de Escolas num total de 48 turmas e pouco mais de 1000 alunos.
No ano letivo 2023/2024, o estudo com manuais digitais chegou a 24.011 alunos, 1175 turmas, de 103 agrupamentos escolares e escolas não agrupadas.
No ano letivo de 2024/2025 entrámos na quinta fase do projeto com uma forte redução nos números: neste momento participam no projeto piloto 81 Agrupamentos, com cerca de 674 turmas e 13 635 alunos.
Suécia, Dinamarca, França, Reino Unido e Noruega são alguns dos países que decidiram recuar na utilização da tecnologia em meio escolar. Após defenderem uma maior presença dos manuais digitais em sala de aula, decidiram dar um passo atrás. Neste momento, Portugal está a acompanhar a tendência de recuo dos países do norte.
Proibição dos Telemóveis
O Ministério da Educação recomendou às escolas a proibição de utilização de telemóveis nas escolas a alunos dos 1º e 2º ciclos. Para os alunos do 3º ciclo e secundário o ministro recomenda que as escolas não proibam os telemóveis mas, em conjunto com os alunos, criem regras sobre a sua utilização.
Numa era em que o conhecimento e o domínio tecnológico são essenciais, temos as nossas escolas a restringir o uso de telemóveis em vez de promover a sua utilização de forma útil e positiva. Uma atitude meramente proibitiva é contraproducente numa época em que o desenvolvimento da competência digital é fundamental para responder aos desafios do mundo do trabalho.
Medo da Inteligência Artificial
Defendida por uns e temida por outros, a Inteligência Artificial (IA) está na boca de toda a gente. A utilização desta tecnologia está a gerar preocupações nas escolas e nos professores, nomeadamente pelo facto de os alunos se habituarem a recorrer à IA para obter respostas ou gerar conteúdos de modo acrítico, limitando assim a sua capacidade de pensamento crítico.
Portugal regista um atraso significativo na implementação da Inteligência Artificial e, em vez de integrarmos esta tecnologia no ensino e mudarmos a forma como ensinamos e aprendemos, tememos que ela roube os nossos empregos.
E assim vamos. Podemos abandonar os manuais digitais, podemos proibir a utilização dos telemóveis e podemos desconfiar da Inteligência Artificial. Só não podemos ignorar a evolução tecnológica e impedir a sua entrada no espaço educativo. Seria o mesmo que tentar parar o vento com as mãos.